Adeus, Carlos Edo…

O grande aviador Carlos Edo partiu em seu derradeiro vôo, na sexta feira, dia 27 de Setembro.  O argentino Carlos Alberto Edo Palma, radicado no Brasil desde a década de 70 foi um dos maiores entusiastas e pilotos da aviação civil no Brasil, tendo se apresentado em centenas de shows aéreos desde a década de 80, sempre a bordo de seu North American T6 PT-KRC.  Ao seu lado , sua esposa Monica Edo, paraquedista e piloto , sua ala em suas apresentações.
Com aeronaves T6 e uma aeronave Beech 18 formou um “team”  muito conhecido na década de 80/90, o Circo Aéreo Onix, posteriormente Esquadrilha Oi e atualmente Circo Aéreo Extreme.  Suas apresentações encantaram e motivaram jovens de todo o país, que sonharam e embalaram carreira na aviação graças a suas asas.
Uma perda irreparável…
Rest in peace, aviator, higher flights for you !

 

 

 

 

 

 

 

 

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Benito Latorre, o adeus a um grande spotter.

 

 

O homem é semelhante a um sopro; seus dias, como a sombra que passa. (salmos 144:4)

Subindo para o vale Nevado, no Chile.       Ricardo, Benito, Lucas, Junglas e Reinaldo

Conheci o Benito latorre em um dos muitos eventos de spotting em São Paulo, promovidos pelo então incipiente site Aeroin. Figura sempre prestativa e sorridente, era um daqueles spotters que, havendo a possibilidade, literalmente  corria o mundo atrás da captura de diferentes aeronaves para seu acervo fotográfico. Mas nossos contatos eram superficiais, apenas em alguns momentos na prática fotográfica. Este ano, entretanto, tive a oportunidade de compartilhar a convivência com o Benito durante a Fidae (Feira Internacional de Aviação do Chile).

Durante oito dias estivemos hospedados em um apartamento na capital chilena, em um grupo de sete spotters, naquela rotina maluca de entusiastas da aviação: levantar cedo, preparar o café, se arrumar, correr para a Van , passar o dia ao redor do aeroporto buscando a melhor luz, compartilhar dicas e informações, ao término da Feira passar no supermercado, padaria, pizzaria, chegar no apartamento baixar fotos, editar e publicar alguma coisa, tomar banho e, sobrando tempo, dormir. O Benito ainda somava a estas atividades a função de organizador, motorista da Van e auxiliador para eventuais necessidades. Não reclamava, gostava de ajudar e ser prestativo, se mostrou um grande companheiro de viagem e um grande amigo.

Nas semanas seguintes a Fidae fomos estreitando nossa amizade, planejamos uma viagem de spotting a Colômbia para 2019 , “trocamos figurinhas”sobre nossas coleções de safety cards, estivemos juntos fotografando em Confins e há 2 semanas, quando do início da Cruzex, em Natal, ainda havia a esperança que ele comparecesse, deixamos uma vaga reservada para ele, mas infelizmente não foi possível sua ida.

Não sabemos os desígnios de Deus para nossas vidas, mas podemos planejar coisas boas, estabelecer ótimos relacionamentos, sermos um referencial entre nossos pares, alguém a ser citado e lembrado positivamente. Esta é a herança deixada pelo amigo Benito, muito além de suas fotografias, suas histórias, viagens e atividades ele deixa a lembrança do  amigo, camarada e grande ser humano que foi e assim permanecerá nas nossas memórias.

Voe alto  Benito Latorre !

 

Dia do Material Bélico da Força Aérea Brasileira.

No dia 11 de Novembro de 1944 os aviões do Grupo de Caça da Força Aérea Brasileira iniciaram sua atuação nos céus da Itália operando de forma totalmente independente como Unidade Aérea, tendo seus aviões armados e mantenidos exclusivamente pelos armeiros brasileiros, comandados pelo Ten Especialista em Armamento Jorge da Silva Prado. Até aquela data o esquadrão operava de forma mesclada, com tripulações e mecânicos norte americanos. Nos meses seguintes cada aeronave P-47, equipada com 8 metralhadoras .50, 6 foguetes de 5 polegadas e até 1130 kg de bombas exigiu um esforço enorme de todos os especialistas em armamento, que conseguiram manter um alto índice de disponibilidade dos equipamentos.

Hoje, o SISMAB, dirigido pela Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico e operacionalizado pelo PAMB-RJ,(Parque de Material Bélico da Aeronáutica)  é composto por 33 remotos e 314 operadores. Sob sua imensa responsabilidade se encontram o planejamento, a supervisão e o controle das atividades de aquisição, manutenção, distribuição e suprimento de itens bélicos para toda a Força. Além de administrar e coordenar 41 projetos bélicos de suma importância para a Força, sendo os principais: Pistola, Fuzil, Canhão, Lançador, Equipamento Óptico, Equipamento Eletrônico, CADPAD, Harpoon, Python 3, Python 4, Derby, Igla S, A-Darter, Ataka, Reccelite, Litening, Bomba, Foguete, Torpedo, Metralhadora, Casulo, Cartucho Especial, Segurança Orgânica, Granada, Espingarda, Munição, Material de Demolição, Lizard, SKYSHIELD, Alvo Aéreo, Alvo Diana, Pirotécnico, dentre outros.

Parabéns a todos os militares que  ao longo da história da Aeronáutica contribuiram para o braço armado da mesma, fazendo jus à palavra FORÇA, característica permanente da Aviação Militar.

 

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A Última Missão

B-25 5133, preservado na base Aérea de Natal , sendo aeronave do mesmo modelo da acidentada.  Coincidentemente ambas serviram na Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá, SP.

 

Situado na zona oeste da cidade do Rio de janeiro , o distante bairro de Santa Cruz é sede da Base Aérea homônima, unidade militar da Força Aérea que desde o pós guerra opera aeronaves de caça e também de patrulha marítima.  Bastante movimentada, durante o dia diversas aeronaves de outros esquadrões por ali passam, em vôos de treinamentos e de suprimento. Além desta rotina, militares vem realizar cursos e estágios , aproveitando-se de sua infraestrutura  e aeronaves.
Semestralmente, a Escola de Especialistas de Aeronáutica, situada em Guaratinguetá, SP, envia alunos de diferentes especialidades para realizarem estágios antes de sua formatura.   Estes estágios coroam uma jornada de dois anos estudando em regime de internato, e são uma oportunidade na qual os instruendos vivem a realidade do dia a dia de uma unidade aérea da FAB.

Na manhã de 31 de Outubro de 1968 os 9 alunos da especialidade de Armamento Aéreo estão excitados. Chegaram para o estágio na segunda, dia 28 de Outubro e se instalaram no alojamento das praças. Nesta manhã de quinta feira todos acordaram muito cedo, ansiosos e nervosos com o grande desafio que os aguardava: – a realização do Tiro Aéreo ! Este treinamento era oriundo dos aviões utilizados na Segunda Guerra e que ainda faziam parte do inventário da Força. Era também motivo de grande orgulho pois,  dentre as centenas de alunos do Curso de Sargento especialista,  somente eles realizariam esta missão de tiro Aéreo.

No pátio das aeronaves, uma ave metálica os aguarda. A aeronave era o bombardeiro bimotor North American B-25 Mitchell, prefixo 5143, pertencente à própria Escola de Especialistas, sendo utilizado para treinamento em vôo de especialistas mecânicos , fotógrafos, radio-operadores e armamento.  Este modelo de aeronave foi também a primeira unidade da FAB a entrar em combate na Segunda Guerra, quando um B-25 em patrulha próximo a Fernando de Noronha foi atacado por um submarino, com artilharia anti-aérea e revidou bombardeando-o com uma dezena de bombas de 45Kg ( na época o Brasil ainda estava neutro).

O Chefe do Curso de Armamento, Capitão Enir,  reuniu os alunos e realizou um último brieffing, lembrando-os dos detalhes da missão e sobre a segurança em vôo. A seguir, todos embarcaram , os motores giraram e lentamente o 43 se dirigiu para a cabeceira da pista. A bordo, 2 pilotos, 1 mecânico de vôo e 1 Radio-telegrafista formavam a tripulação.  Para a instrução aérea embarcaram 1 oficial e 3 sargentos especialistas, além dos 9 alunos. Durante o vôo os instrutores se revezariam na posição do artilheiro , no “nariz” do avião. As 07:21 o B-25 decolou e rumou para a Restinga da Marambaia , local próximo a Base Aérea e onde funcionava um Estande de Tiro Aeroterrestre.  Nas horas seguintes todos seguiriam a rotina do circuito de tiro e o revezamento dos artilheiros.

Encerrada a instrução, hora de retornar para a Base Aérea. A aeronave  se afasta da Marambaia e o piloto resolve fazer  um vôo panorâmico a baixa altura, próximo as praias do Rio de Janeiro, com todos apreciando o belo litoral carioca. Esta extensão do vôo para apreciação do litoral era uma pequena recompensa pelas últimas horas envolvidas na missão. No retorno, por razão desconhecida, ele segue em frente na região do Recreio e ao tentar passar sobre o morro da praia de Grumari a aeronave estola (perde sustentação) e cai “placado” próximo ao topo do morro, espatifando-se e explodindo. O teto baixo de nuvens esconde da visão dos pescadores e moradores o clarão do fogo e a fumaça  do incêndio dos destroços. A bordo, todos morrem instantaneamente, na violência do impacto.

O ronco dos motores e o estrondo do impacto é escutado por um lavrador e graças a esta informação uma equipe do Parasar encontra os destroços por  volta de 01:00 do dia 01 de novembro.  Durante a noite os homens lutam contra a montanha de mata fechada e locais íngremes e escorregadios até que, finalmente, as 08:00 o trabalho de resgate dos restos foi encerrado.

Terminou ali a carreira de aviadores e especialistas, partindo em seu último vôo enquanto executavam a sua profissão e vocação. Quis também o destino que 9 jovens tivessem o seu sonho abreviado e não mais retornassem a casa dos pais, indo para os braços do Pai Celestial. Quanto ao B-25J 5143, após mais de 20 anos voando nas cores da FAB, tendo sido pilotado por dezenas de diferentes pilotos e realizado centenas de missões não pode trazer de volta à segurança da Base Aérea a sua tripulação.  Há exatos 50 anos, as 10:45 da manhã do dia 31 de Outubro de 1968 o Bombardeiro encerrou a sua última missão.


Tripulação:
Cap Av Helio do Amaral Teixeira e Ten Av Marlio Adão Müller, 2Sgt QAv Luis Fernando Caldi e 2Sgt RT-VO Geraldo Ferreira da Silva.
Instrutores de Armamento:
Cap Esp Arm Enir Vieira de Magalhães, 1Sgt QAR Vinicius Palmeira da Silva, 3Sgt QAR Antonio Vicente Silva e 3Sgt QAR Afonso Celso Giannico.
Alunos:
Roberto Jorge,  Eduardo Ferreira Cardoso, Francisco Moreira Filho, Fernando Melo Viana Sena, Jaber Tiradentes Coelho, Silvano Honório Câmara, Benedito Edésio da Silva, Adamor da Silva Braga e  Epaminondas Aguiar de Lima.

 

Texto: Reinaldo Neves, editor do site e ex-aluno 81-1105 Reinaldo, da Turma 179 “Branca 81″ !
Agradecimentos ao Cap Ref Magalhães,  José de Alvarenga e Sgt BMB Ribeiro.

 

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Spotter Day Confins 2018.

 

 

 

 

 

Do alto do morro do Dtcea ou na lateral da pista, excelentes registros

 

Dia 20 de Outubro, sábado, o Destacamento de Controle do Espaço Aéreo situado no Aeroporto de Confins foi palco de mais um evento “Spotter Day”. Organizado pelo site Ponte Aérea, capitaneado pelo spotter Lucas Ulhoa, cerca de 120 entusiastas da aviação prestigiaram o evento ao longo do dia, registrando o movimento das aeronaves e revendo e fazendo novos amigos .

 

 

 

 

 

 

O Cmt do Dtcea, Maj Renato, juntamente com sua equipe realizaram um eficiente trabalho de recepção aos visitantes, incluindo visitas guiadas a Torre de Controle. Barracas de campanha foram montadas, propiciando local para descanso, conversas e refeições. Um diferencial deste evento foi a presença de um  “Food Truck”, oferecendo hambúrgueres e massas, sendo bastante concorrido. Ficaram instalados em local com privilegiada visão do aeroporto e aeronaves nos fingers e no taxi.
No início da tarde foram realizados sorteios de brindes e na sequência aconteceu o “mesa aérea”, evento no qual os participantes colecionadores puderam negociar suas preciosidades de aviação. Safety cards, patches e miniaturas foram os itens predominantes.

 

 

 

 

“Mesa Aérea”                        Sorteio de brindes

Foto do amigo Luiz Gimenes

 

As 15:20 aterrissou a “cereja do bolo”, o A-330 CS-TOW  da TAP , com pintura especial. Desembarcou os passageiros, foi abastecido, carregado e após embarque decolou as 17:00 com destino a Portugal. Este foi o último ato do evento e os participantes remanescentes retornaram aos seus lares.

 

 

 

 

 

 

Destacamos a presença de spotters vindos de diversos estados do país, praticamente de todas as regiões. Conhecemos Marcio Peres, spotter que veio de Macapá. Sua viagem foi um verdadeiro périplo, voando os trechos Macapá – Belém – Brasília – Galeão – Confins. Está no hobby desde 2011. A futura comissária Thaisa Castro veio de São Luis do Maranhão, atraída pela possibilidade de participar de um evento de grande porte, onde pudesse registrar uma diversidade de aeronaves. Descobriu o spotting há menos de um ano.  De Teresina, Piauí,  veio o spotter Raphael Barbosa e de Fortaleza, no Ceará, vieram Flávio Carvalho e Bruno Colares, o último iniciando o curso de PP.  Todos destacaram a receptividade dos mineiros e a organização do evento.

 

 

 

 

 

 

O site asasmetalicas  agradece a Lucas Ulhoa e ao staff do Ponte Aérea pela organização do evento e ao Dtcea, na pessoa de seu Cmt, Maj Renato e equipe, sempre prestativos na interação spotters/Força Aérea.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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