Museu de automóveis e aeronaves Eduardo Matarazzo irá fechar.

O Museu Eduardo Matarazzo, localizado na cidade de Bebedouro, estado de São Paulo, irá fechar as portas. Em carta à imprensa a herdeira e responsável pela manutenção do acervo informou sobre a reabertura do Museu após reformas nas instalações e também sobre o encerramento das atividades no dia 22 de janeiro de 2017, motivado pelas dificuldades financeiras de se manter as instalações e, principalmente, pelo descaso do poder público para com o Museu .

O fundador

Eduardo André Matarazzo nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1932, filho de Francisco Matarazzo Junior, e neto do imigrante italiano Francisco Matarazzo que chegou ao Brasil, vindo de Salermo na Itália, em 1887. Apaixonado por automóveis se especializou no restauro de carros antigos e aos poucos foi incorporando ao seu patrimônio uma coleção de automóveis, motores e maquinas em geral. Transferiu o seu acervo para a cidade de Bebedouro , terra natal de sua esposa e aos poucos a coleção também incorporou aeronaves e máquinas de guerra.  Em 1968 celebrou um acordo com a prefeitura da cidade e surgiu então um museu aberto a visitação pública. Após sua morte, em 2002, o Museu passou a ser administrado por sua filha, Patrícia Matarazzo que em sua homenagem mudou o nome do museu para o nome do pai, sendo a partir de então o “Museu Eduardo André Matarazzo”.

 

 

 

 

Saab Scandia                                                               Vickers Viscount

 

O acervo

Este museu possui um acervo bastante eclético em termos de máquinas, privilegiando principalmente os automóveis, grande paixão do fundador. Nos dois salões principais contam-se dezenas de veículos de grande valor histórico, a maioria fabricada entre o início do século passado até os anos 50. São predominantementes de origem norte americana (47 unidades) e européia(24 unidades), mas há também 18 automóveis de origem brasileira.  Ainda na área interna encontram-se itens bélicos como torpedos, minas, canhões, peças e motores. Também há motocicletas, tratores, maquinas de tear, holofotes, escafandro, maquinas de datilografar, etc.  Alguns dos 19 aviões também estão expostos ali , suspensos acima dos carros ou sobre pedestais.

Na área externa há maquinas pesadas como locomotivas, tanques de guerra, caminhões e diversas aeronaves de médio e grande porte. Encontram-se ali, provenientes da VASP, o único exemplar existente do SAAB 90 Scandia  e os quadrimotores Vickers VIscount e Douglas DC-6A. Também estão no local , com pinturas da VARIG, um Convair 240 e um Douglas DC-3, além de um Lockheed Lodestar e um Curtiss C-46 provenientes da ARRUDA e um B-25J ex FAB. Após décadas expostas no tempo estas aeronaves encontram-se em processo de deterioração.

 

 

 

 

 

 

 

Fechamento

Na mensagem  encaminhada à cidade de Bebedouro a administradora do museu, Patrícia Matarazzo relembra os “quase 49 anos de história, luta e dedicação para com a cidade de Bebedouro, que se encerram por não termos mais recursos financeiros para continuar mantendo a instituição em funcionamento “. Também deixa claro não se tratar de uma decisão política. Na sequencia , a administradora fala sobre o acordo firmado com a prefeitura, através do qual o município se encarregaria da manutenção das instalações e o fundador  e proprietário cuidaria do acervo. Através desta parceria a coleção esteve sempre aberta ao público e o município ganhou grande visibilidade .  Entretanto, com o passar dos anos o município deixou de cumprir o acordado, alegando falta de recursos. Neste quase meio século de atividades o museu sofreu com duas enchentes que causaram severos danos ao acervo e a família sempre bancou os reparos com recursos próprios. Patrícia também revela uma mágoa para com a cidade  ao escrever “o Museu, para os cidadãos bebedourenses, pertence a família Matarazzo enquanto ela paga as contas, se cuida sozinho e mantem as portas abertas para que a cidade possa dizer que tem uma atração turística. E passa ser visto como Propriedade do Município quando a família pede auxilio, cobra a Cidade sobre suas obrigações ou decide que não quer mais mantê-lo. E mais, uma propriedade do Município, porem, cuja a obrigação de cuidar continua a ser da Família. Pois, em tempo algum, a cidade ou sua população pretendeu arcar, custear, cuidar e manter o Museu. Esta ambiguidade impediu que se percebesse que a Família Matarazzo se dedicou com amor e afinco a cidade de Bebedouro e permitiu que fosse vista publicamente uma coleção que É PARTICULAR. Investindo altíssimas somas neste projeto que não lhe trouxe retorno financeiro nenhum, jamais.”

No final ela cita tentativas de se apossarem do acervo da família, sendo a mais recente em novembro de 2016, quando um promotor de justiça da cidade entrou com um pedido de tombamento do acervo. A data de fechamento  e encerramento das atividades será o dia 22 de janeiro de 2017, entretanto ela deixa uma porta aberta ao dizer que a decisão poderá ser revista caso o município providencie funcionários para atendimento do público e manutenção externa e também retome as atividades de manutenção do prédio.

 

Nota do Editor: Lamentamos e muito a notícia. Com tanta verba desperdiçada pelo Ministério da Cultura patrocinando atores, cantores e artistas, vários deles bem situados no cenário cultural brasileiro, não vemos empenho na manutenção da história do país, com museus à míngua e dependendo exclusivamente de seus fundadores para mante-los. Causa estranheza um promotor pedir o tombamento do acervo, pois se o município não consegue sequer manter o prédio como manterá o acervo, de valor infinitamente maior que a estrutura física do local?  Esperamos que o bom senso prevaleça e a prefeitura retome a manutenção das instalações.

 

Fotos e reportagem: Reinaldo Neves

 

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